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Coiote vs. Acme: o filme que a Warner quase enterrou é mais divertido que perseguir o papa-léguas

Depois de uma novela digna de horário nobre, 'Coyote vs. Acme' finalmente está entre nós, e a gente não podia estar mais feliz. Convenhamos: é de uma ironia deliciosa que um filme sobre o Coiote buscando justiça contra uma megacorporação quase tenha sido sacrificado por uma megacorporação de verdade. A Warner Bros. Discovery chegou a considerar usar a produção como abatimento fiscal — sim, jogar o filme no lixo pra economizar no imposto. Graças ao barulho dos fãs e do diretor Dave Green, que desabafou nas redes sociais, a justiça cinematográfica foi feita.

Pra quem está por fora da treta: o filme mistura atores reais com os personagens icônicos dos Looney Tunes numa comédia amalucada e cheia de nostalgia. A premissa é simples e genial — o Coiote, cansado dos produtos defeituosos da Acme que só servem pra ele se machucar (e se explodir, e cair de penhascos), decide processar a empresa. Ele contrata o advogado Kevin Avery (Will Forte, de 'Nebraska') e se prepara pra enfrentar o poderoso Buddy Crane (John Cena), ex-chefe de Kevin e defensor da Acme.

O resultado é uma sátira bem-calibrada dos filmes de tribunal: tem o advogado idealista contra a corporação corrupta, a amizade improvável entre defensor e cliente, e os golpes sujos da grande empresa pra manter tudo como está. Tudo temperado com o humor acelerado e surreal que qualquer fã dos Looney Tunes vai reconhecer na hora. O roteiro, assinado por Samy Burch a partir de argumento que conta com participação de James Gunn (sim, o de 'Guardiões da Galáxia'), dá conta do recado com elegância.

Will Forte carrega o filme com aquela honestidade cômica que é a sua marca: o Kevin tem medo de tudo, mas não desiste de ninguém. John Cena, por sua vez, parece estar se especializando em vilões grandalhões com uma veia cômica irresistível — as cenas dele ao lado do Frangolino (que no filme é o chefão da Acme, detalhe precioso) são puro ouro. Lana Condor aparece como parceira de Kevin, sem muito espaço pra brilhar, mas sem atrapalhar.

Os personagens clássicos — Pernalonga, Patolino, Piu-Piu e companhia — aparecem de forma que não soa gratuita, e há até uma homenagem ao ator Peter Lorre que vai arrancar sorrisos dos cinéfilos mais antenados. Os efeitos visuais integram animação e live-action com competência, num resultado bem acima do decepcionante 'Space Jam: Um Novo Legado', mesmo que 'Uma Cilada Para Roger Rabbit' ainda reigne sozinho no topo desse subgênero.

O desfecho é um pouco previsível, mas tocante do jeito certo — não se surpreenda se alguém chorar no escurinho do cinema. 'Coyote vs. Acme' justifica cada segundo da mobilização que tirou o filme do limbo e prova que os Looney Tunes têm ainda muito a oferecer. Quem diria que o Coiote, depois de uma vida inteira perdendo, ia conseguir uma vitória dessas.

Com informações de fontes públicas, Wikipédia, YouTube, Instagram e TikTok.